Tenho feito reflexões
diárias desde que assisti um documentário sobre a vida. Na verdade o
documentário não tem como tema a vida, tem como tema uma doença, mas não sei se
são os meus olhos, a minha mente, os olhos da mente, não sei o que é, mas pra
mim aquele documentário não era sobre a doença. Como uma pessoa doente
mentalmente pode ser capaz de falar tantas verdades, falar verdades sem pudor,
sem medir consequências, sem precisar de nenhuma droga psicoativa pra ser
sincero. Essa pessoa é doente mentalmente?
Até que ponto os estudos,
as pesquisas científicas, podem dizer que aquela pessoa é doente? Se aquela
pessoa é doente mentalmente eu também sou. Porque por várias falas, por várias
linhas de pensamento eu me identifiquei.
Hoje tive coragem de
escrever esse texto por você. Se você ler você vai saber que estou falando de
você. Eu tenho um amor tão grande no meu coração e esse amor faz com que eu
enxergue as coisas com mais esclarecimento, com sentimentos a flor da pele.
Uma energia trocada com uma
dança e uma tampinha de garrafa de água. Isso poderia não significar nada pra
muitas pessoas, pra outras poderia significar como se fosse um desprezo, uma
pessoa pegando lixo do chão e lhe entregando como se fosse um presente. Bom meu
amigo, foi um presente. Foi o presente que fez com que eu pensasse em toda a
minha vida, nos meus passos, nos meus sonhos, nos princípios e valores que eu
acredito, ou quero acreditar, já não sei mais.
Talvez minha mente esteja
tão bagunçada quanto a isso, mas talvez a rotatividade da vida seja essa,
pensar, refletir, pensar mais, tirar conclusões que talvez daqui 5 minutos
sejam diferentes novamente, porque talvez a vida não seja isso? A vida é
fluidez. A vida vai e não volta mais. E você meu amigo, me mostrou que eu
estava parada. Aquela tampinha de garrafa de água...
E num mundo onde as pessoas
são rotuladas por quantas pulseiras carregam no braço, quantas coisas
experimentaram, quais as vertentes e DJs que mais curtem. Num mundo que na
época de Woodstock nada disso existia. Nenhuma pulseira, nenhuma qualificação
por vertentes, por quanta coisa viveu. Não, não era esse mundo que eu buscava.
Fico pensando se apenas estou no caminho errado ou se estragaram meu mundo
utópico. Porque as pessoas continuam insistindo em rotular tudo e todos que veem
pela frente. Por que?
Ah os porquês da vida, são
tantas perguntas que nós fazemos. Certa vez me disseram que eu fazia as
perguntas erradas. Mas eu não acredito nisso. Não acredito que exista uma
pergunta errada e uma pergunta certa. Cada ser humano tem sua individualidade e
somente ele pode saber e dizer e sentir se aquelas perguntas são certas ou
erradas. O que é certo? O que é errado?
Brincar com os sentimentos das pessoas é certo? Jogar a culpa disso na droga é
certo? O que é certo o que é errado? Essas minhas perguntas estão erradas? Não
sei, você também não deve saber.
E ai vem uma outra questão
na minha vida, na verdade a questão que eu estou refletindo desde que assisti
esse documentário. As pessoas verdadeiras hoje em dia são tidas como loucas. As
pessoas que não ligam pra quantidade de pulseiras, pras vertentes que são ou
não curtidas. Pessoas que expressam suas ideias, seus sentimentos e reflexões
mais profundas de uma forma clara e transparente, e principalmente verdadeira,
essas pessoas são dadas como loucas? Por que? Ai vem mais perguntas minhas.
Porque as pessoas
verdadeiras são dadas como loucas? Num mundo onde o que vale são todas as aparências,
todos os rótulos, todos os joguinhos. As pessoas verdadeiras, as pessoas
transparentes são dadas como idiotas. Loucas. Esquizofrênicas. Isso é um
rótulo? Eu me encaixo nesses rótulos todos.
Porque eu digo não. Não vou
ser uma pessoa que frequenta um certo tipo de lugar, que usa um certo tipo de
roupa, que ouve uma certa vertente, que pertence a alguma religião. Não eu não
quero ser essa pessoa.
Eu quero ser eu. E a partir
de hoje não vou mais estar ao lado daquela tampinha. Eu não quero mais ser a
mesma. Não quero mais me envolver com pessoas que tem “sentimentos” mutáveis a
medida que passa o efeito de uma droga.
Não quero mais perto de mim
pessoas que acham legal passar a perna nos outros, enganar, brincar, diminuir
outros por causa da vertente que curte, da quantidade de frequência em roles, da
quantidade de pulseiras, religião, cor, credo, raça, posição social, idade,
origem. Será que eu sonho com um mundo utópico? Será que eu vou viver na Nova Era?
Será que eu sou louca? Será que sou esquizofrênica? Será que todos vocês são
loucos?
Quais são as perguntas
certas? Quais as perguntas erradas?
Onde estão as pessoas
verdadeiras? Os sentimentos verdadeiros?
Por que?

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